Casacos de Pele DE GENTE

Você já deve ter ouvido falar muitas vezes em pessoas, especialmente aquelas que vivem em países com clima muito frio, que têm casacos de pele, não é mesmo?

E você sabe do que se trata? Aposto que sua resposta será a seguinte: Casacos de pele são aqueles feitos com peles de animais nobres para agasalhar os bem afortunados nas épocas de inverno.

Mas o casaco de pele a que me refiro é bem diferente do que você já ouviu falar...

Trata-se de um Casaco de Pele de Gente, de pessoas nobres (Mãe, Pai, Irmãos, Marido, Esposa, Amigos, Professores) que passam por nossas vidas, a fim de nos agasalhar, de nos proteger e, às vezes, inconscientemente, de nos tornar dependentes. E como sentimos frio nas épocas de inverno e muitas vezes também nas épocas de calor intenso, principalmente enquanto crianças, rapidamente aceitamos a oferta.

Vamos vestindo os casacos... Eles não têm variedade de cores, de texturas, ou de comprimentos. São sempre feitos sob medida para nossas necessidades. São chamados de casacos de pele de gente porque quando os vestimos eles passam a fazer parte do nosso SER. Confundem-se com a nossa própria pele, se misturam e penetram nos nossos poros a ponto de não sabermos mais o que é nossa pele e o que é a pele deles. São, na verdade, uma segunda pele.

E é aí que está o problema *.
Como disse, mesmo nos dias de calor intenso continuamos vestindo estes casacos e perdemos a capacidade de sentir frio ou calor, tamanha a proteção que eles nos oferecem. Às vezes, protegem tanto que chegam a apertar, a dar uma sensação de prisão. Outras vezes parece ser uma proteção conveniente, já que não precisamos nos preocupar mais com a temperatura... Mas também deixamos de sentir a temperatura...

Quando crianças, sentir a temperatura do ambiente não é o mais importante. Aliás, isso passa desapercebido pelos pequeninos. O que importa de verdade é estar agasalhado. Mas, na medida que vamos crescendo, vamos sentindo a necessidade de sentir na nossa própria pele o que vivenciamos, estando frio ou calor.

Neste exato momento estou separando o que é minha pele e o que é pele de gente que passou pela minha vida, pois preciso sentir, preciso saborear a vida, tanto os doces quanto os amargos que Ela tem para oferecer... Preciso perceber, de uma forma geral, a diversidade de sabores e não, apenas e somente, os sabores pré - filtrados a mim oferecidos. Sinto-me como uma criança – adulta diante de um balcão de balas ou em um grande e variado shopping center!

A única solução que encontro é sentir com a minha própria pele. Sentir momentos de frio, afinal estes fazem parte da natureza e, especialmente, sentir momentos de calor. De CALOR HUMANO! Certamente não está sendo uma tarefa fácil, entendendo que vesti durante muitos anos casacos de pele que não era a minha, mas sim de gente nobre na minha vida!

Tem uma frase que diz o seguinte quando não desejamos que algo aconteça para alguém que queremos bem: Não queria estar na sua pele quando encontrar seu chefe ou quando pegar o resultado de tal exame, ou ainda quando pegar o boletim na escola, etc, etc, etc...
Tem uma outra frase que diz o seguinte quando sentimos algo forte por alguém: Meu sentimento com relação a fulano é coisa de pele...

Refleti um pouco sobre estas frases e sabe o que concluí:
PELE É CONTATO, PELE É SENTIMENTO, PELE É TROCA, PELE É AFETO!

É através da pele, que por sinal é o nosso maior órgão, que trocamos sentimentos com o mundo, com as emoções que nos circundam, com as pessoas que convivemos... Exalamos cheiros, transpiramos - sentimos calor, ansiedade, nervosismo, arrepios! Medo, tesão, "choque"...
Mas precisamos sentir na nossa própria pele!

Algumas vezes vale recorrer aos velhos casacos de pele de gente que vestimos durante anos, pois foram casacos que serviram de proteção e ainda têm valia em tempos frios. Mas só em tempos frios, e quando assim o decidirmos, voluntária e conscientemente!


* Entende-se por problema toda e qualquer situação que tem solução, pois o que não tem solução não é problema.

4 ajudaram a juntar palavras:

Tata disse...

Oi,

Nossa adorei esse seu post, realmente tem ue se sentir as coisas na pele e através dela....

O nosso maior órgão e maior receptor de sensações....

Lindo!
Bjus

Francisco Sobreira disse...

Òtimo texto,Luciana. Bem escrito, substancioso e lúcido. Um beijo.

Diogo Caceres disse...

Oi Luciana, boa noite!!!
Excelente postagem amiga... é tem vezes que nos deixamos ser cobertos pela "pele" de outros, perdendo nossa propria identidade... mesmo que seja por nos querer bem, a super proteção, seja da parte de pais, amigos, colegas, pode nos prejudicar, evitando que aprendamos por nós mesmos a solucionar questões essenciais p/ nossa vida!!
O amor que deve nos envolver sempre sera aquele que nos incentiva a sermos o melhor que pudermos ser... ótima postagem, e escelente trilha sonora na sua página!!
Abração!!!

djaniras@globo.com disse...

Estou realmente impressionada com seus textos. Você é de uma criatividade raramente encontrada hoje em dia. Gostei imensamente do seu blog, da organização, das novidades, enfim, das idéias que são, além de tudo originais.
Conheci seu blog através de Paula Barros. Também gosto de escrever. Quem dera que assim com toda essa sua lucidez. Abraços djanira silva

blogdjanirasilva.blogspot.com

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